Lá vem a FLIP 2009!

abril 20, 2009 by

FLIP 2009 - de 1 a 5 de julho.

HTTP://FLIP2008.RECORTE.ORG

maio 5, 2008 by

Este é o novo endereço do FLIP 2008 Recortes. Se você nos acompanha, atualize seu Favoritos e feeds. Se além disso, tem um link para nós no seu site, pode ajudar na divulgação da mudança atualizando o link ou fazendo um post. Se você tem o selo, copie o novo código (à direita).

A idéia de ter um domínio próprio já estava em nossos planos, era apenas uma questão de tempo para promover a migração, com a preocupação de manter toda a estrutura e design do site. O blog sobre a FLIP 2007 também foi trazido para o novo domínio. A mudança proporcionará mais agilidade na publicação das matérias, principalmente durante a FLIP, pois teremos outros recursos não disponíveis na plataforma padrão wordpress.

FLIP 2008 – lá vamos nós!

março 12, 2008 by

http://flip2008.wordpress.com

Cortejo Fúnebre Literário

julho 17, 2007 by

Caminhar pelas ruas de Paraty durante a FLIP traz sempre surpresas. Há rodas de leitura, música de ciranda, barracas de doce e muita gente utilizando várias formas de linguagem. Este cortejo fúnebre por exemplo, na verdade uma manifestação artística, chamou bastante atenção.

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Nadine Gordimer

julho 16, 2007 by

Além da mesa com Amós Oz, Nadine Gordimer participou juntamente com outros sete autores da mesa de encerramento da FLIP – Literatura de estimação -, onde cada autor deveria responder a uma única pergunta: Que livro você levaria para uma ilha deserta?

Nadine Gordimer, nas palavras de Cassiano Elek Machado, diretor de programação da V FLIP, “a musa da FLIP”, leu trechos do livro “Formigueiros do Cerrado”, do nigeriano Chinua Achebe. Justificando sua escolha, ela disse que seria natural ler um dos grandes escritores que a influenciaram, mas preferiu um escritor contemporâneo que, de acordo com ela, é um dos deuses da Nigéria. “Chinua Achebe é africano, mas escreve de uma forma universal e descreve o que é ser humano”.

Nadine Gordimer
(Enviar esta foto como postal)

Na Tenda dos Autores

julho 13, 2007 by

Fiz esta foto enquanto o J. M. Coetzee, diante de um auditório completamente lotado, fazia uma leitura de um trecho de 26 páginas do seu próximo livro, Diário de um ano ruim, ainda sem data de lançamento no exterior, que dirá, no Brasil. Sul-africano, Coetzee tem a aparência um lorde inglês. E se comporta como tal. Portanto, os vinte minutos concedidos aos fotógrafos dentro da tenda, no caso específico de Coetzee, se transformam numa eternidade. Fiz cerca de quinze fotogramas dele. A diferença sensível entre eles é que uns são horizontais e outros verticais. Coetzee mantém a mesma pose, mãos apoiadas no pedestal com o texto, voz firme e calma. Muito calma. Então virei meu foco para a platéia e fiz algumas fotos. Entre elas, esta. Não, não é o cara da Richard’s. É o Alan Pauls, autor convidado, sentado no chão. Acho que ele jamais poderia estar sentado ali. Mas se não estivesse, não haveria a foto.

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Um beijo

julho 12, 2007 by

A leitura da peça Um Beijo No Asfalto feita por autores e dirigida por Bia Lessa foi um dos pontos altos da V FLIP. Arrancou boas risadas do público e provocou espanto diante de atuações realmente surpreendentes como a de Silviano Santiago na pele do jornalista Amado Ribeiro ou a de Jorge Mautner, ora como Delegado Cunha, ora como violinista. Além deles, encarnaram os personagens de Nelson Rodrigues ou colaboraram com outras leituras: Sergio Sant’Anna, André Sant’Anna, Carlito Azevedo, Nelson Motta, Liz Calder, Flora Süssekind, Angela Leite Lopes, Suzana Macedo, Adriana Armony, Chacal e Veronica Stigger. Para completar, três bateristas da banda “Os ritmistas” interagiram com os diálogos e a harmonização do cenário contou com a elaboração de imagens do fotógrafo Miguel Rio Branco.

Aqui, algumas imagens e diálogos para guardar.

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Leitura de um depoimento de Nelson Rodrigues, por um dos ritmistas.

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 Leitura de Carlito Azevedo.

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Diálogo entre os personagens (Selminha, Aprígio e Dália).

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Na Delegacia, atuação de Liz Calder.

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Na Delegacia, depoimento de Arandir.

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Poema de Bishop

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Entre irmãs

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Arandir se explica

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Amado Ribeiro e a viúva

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Leitura de texto de Coetzee

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Delegado e Dona Selminha

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Falando em português claro

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Depoimento sobre a última peça de Nelson Rodrigues

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Magrinha…

OFF-FLIP fez bonito!

julho 12, 2007 by

A OFF-FLIP é um circuito paralelo de idéias que nasceu da necessidade de se criar um espaço de integração e manifestação da sociedade local e de expansão de contatos culturais e artísticos durante a FLIP. Havia, à época das primeiras edições da FLIP, uma idéia que esta era uma festa elitista e não privilegiava os jovens autores, os autores locais e a população de Paraty. Esta idéia, se já não é de todo verdadeira, pelo menos no que diz respeito à elitização, continua valendo. Basta ver o porte do evento e imaginar o volume financeiro envolvido para empregar pessoas, pagar passagens e estadia de autores e familiares, montar tendas enormes, aluguel de equipamentos, livraria, cafeteria etc. Quem conseguiu os 21 ingressos para a Tenda dos Autores desembolsou R$ 483,00. Na Tenda Matriz, R$ 105,00. No conjunto, não são exatamente preços populares.

Aí surge a OFF-FLIP com seus quatro mosqueteiros – Lia Capovilla, Ovídio Poli Junior, Maria Luiza de Faria e Marilia van Boekel Cheola – tirando leite de pedra. Com uma verba cada vez mais curta vinda do único patrocinador, a Prefeitura de Paraty, esta mesma Prefeitura que não consegue levar luz aos bairros da periferia, a OFF trabalha com garra e amor.  Na sede com menos de 8m2, uma mesinha, duas ou três cadeiras, um telefone, um arquivo, uma pequena estante com livros dos autores, algumas prateleiras e material de divulgação.  E nenhum computador. A verba dessa edição foi tão curta que nem um microcomputador conseguiram colocar. Mas havia a educação, o sorriso, a boa vontade, a prestreza, a energia de Ovídio, Marilia, Maria Luiza e Lia. E com esses ingredientes e quase nenhum dinheiro, fizeram bonito, espalhando quatorze eventos pela cidade, treze deles com entrada franca, com destaque para a Tribuna OFF, um espaço coletivo para leitura de contos e poemas de escritores convidados, performances individuais e coletivas; o Sarau Literário dedicado ao ator, dramaturgo, artista plástico, professor e radialista Themilton Tavares, personagem notável e querido de Paraty e as mesas de debate com os escritores da editora Língua Geral, que reuniu Mauro Sta Cecília e Miguel Gullander falando sobre literatura e música (mediador: Ney Lopes), Ana Paula Maia e Christiane Tassis conversando sobre A Escrita na Era da Imagem (mediador: Belisário Franca) e finalmente, diante de um auditório lotado, Os Caminhos da Nova Ficção Africana em Língua Portuguesa – Cosmopolitanismo x Tradição foi o tema da terceira e última mesa, que gerou um excelente debate entre José Agualusa, Mia Couto e o mediador escritor Nelson Saúte.  Em função do número pequeno de lugares, à imprensa, foram reservadas senhas para que ninguém ficasse sentado no chão. Não houve qualquer restrição a cinegrafistas e fotógrafos que tiveram total liberdade dentro do ambiente. Em momento algum vi ou ouvi reclamações do público. E nem movimentação inadequada dos que ali estavam documentando o evento.

OFF-FLIP - Mesas da Editora Lîgua Geral

Uma pergunta que me inquieta: Por que a FLIP não destina uma pequena parte da verba que arrecada para a OFF? Quem vê de fora fica com a impressão que a OFF é tratada pela organização da FLIP como uma manifestação contrária. Como um movimento dos sem FLIP. Mas não é. As duas se complementam. A OFF chega aonde a FLIP não consegue ir. Leva a literatura, a poesia aos botequins, aos cafés e às ruas. Não conheço ninguém que vá a Parati para ver apenas a FLIP das tendas. Vão para ver de tudo um pouco. Tem gente que vai para ver o movimento, pela ótima pinga, para ver a cara dos gaiatos do Bagatelas. Acho que já está mais do que na hora da grande Casa Azul pensar nisso. Ganharemos todos nós.

Para o pessoal da OFF, parabéns, sucesso e muito obrigado!

Sobre homens, lagartixas e febre.

julho 12, 2007 by

De volta, mas ainda com malas por desfazer e gripe para curar. Ainda vamos, aos poucos, distribuindo por aqui nossas impressões de viagem. Logo abaixo eu li o “Momento autoral” do Sergio e concordo com ele: a equipe da Lu Fernandes teve desempenho impecável, os vermelhinhos foram educadíssimos, ainda que tivessem a difícil tarefa de cumprir leis e pedir desculpas por elas. Nada a reclamar da programação brilhante, tudo a agradecer ao Cassiano Elek e Liz Calder, pessoas visivelmente comprometidas com o bem estar de todos e com a elegância da Festa.

Em Paraty algumas coisas foram mais difíceis do que imaginei a princípio. Assumo parcela gorda de culpa: achar que podia estar em todas as mesas e em todas as programações paralelas e ter intervalos para comer, fazer xixi, tomar banho e beber água. Utopia. Eu, na verdade, nem achei que podia, apenas não pensei a respeito. Fui para fazer tudo. E quis fazer tudo. Também não imaginei a temperatura altíssima durante o dia e o despencar vertiginoso durante a noite. No segundo dia eu tombava por nocaute. E havia as parcelas de culpa que não eram minhas, mas suponho não saber a quem endereçá-las.

Uma coisa eu tenho que dizer sobre o trabalho dos fotógrafos durante a V FLIP: se qualquer um de nós, humanos comuns, encontrar por aí em jornais e sites e revistas… alguma boa foto de algo que tenha acontecido durante as mesas na Tenda dos Autores, devemos parabenizar o autor da foto pelo talento, ousadia, paciência, criatividade e flexibilidade. Ah! Principalmente isto: flexibilidade. Exceção aqui para uns dois ou três profissionais oficiais do evento que tinham direito e dever e uma certa liberdade de espaço. Aos demais fotógrafos, pela primeira vez (que eu saiba) foram reservados espaços nas laterais (ao lado da plataforma em que se apresentam os autores, antes do balcão rosa-sei-lá-o-quê, aliás, um detalhe arquitetônico totalmente dispensável). Espaços no chão, claro. Eles escorregavam e engatinhavam ocupando um limite de aproximadamente um metro e meio por dois. Como lagartixas, precisaram exercitar a gentileza e a cordialidade entre si para que todos tivessem sua chance de capturar alguma imagem nos vinte minutos permitidos. Acabado o tempo limite, supunha-se que deveriam escorregar novamente pela saída lateral da Tenda. Pela lógica da FLIP (e, juro: eu não sei quem é essa pessoa) um fotógrafo não pode ser ao mesmo tempo uma criatura que lê, que compra ingressos, que assiste ao evento. Ou você é fotógrafo ou você é público. Bem, ao público são destinadas as cadeiras (menos as das três primeiras fileiras, essas são reservadas aos que as merecem por motivos vários), mas ao público não é reservado o direito de sacar e engatilhar uma camerazinha digital para fazer fotinhos amadoras dos seus autores preferidos. Então, seguindo a lógica do “ou você é fotógrafo, ou você é público, ou você é merecedor”, sendo fotógrafo você faz o que pode fazer e se manda; sendo público, você compra seu ingresso e entra na fila e acomoda-se numa cadeira disponível: sem essa de pensar em fotos (que bobagem é essa de todo mundo agora ter uma câmera digital? até parece! se continuar assim até o auxiliar do pedro-pedreiro vai se sentir feliz por poder mostrar que esteve na Tenda dos Autores olhando de longe para o Ishmael Beah, onde já se viu?).

Ta bom. Eu estou errada. Devo estar. Estou fazendo alguma ironia ridícula sobre um assunto sério. Ou não? A Festa é para olhar e ouvir, não para fotografar. É óbvio.

Eu sei. Quando estive no show do Chico e em outros tantos, acho que ouvi alguém dizer no autofalante sobre não usar flash, ou não fotografar, ou não filmar, sei lá… mas nunca vi em lugar algum um cinturão de pessoas vestindo camisas vermelhas para impedir ou tentar impedir que aquelas criaturas (que eu considero inofensivas com suas compactas) saquem suas armas e atirem contra o palco. Foi o que vi na V FLIP. Posso estar errada. Não: tenho que estar errada! Preciso estar errada. Mas a imagem não era bonita.

Se eu fiquei espantada com o lugar dos fotógrafos, fiquei mais espantada ainda com o lugar do leitor numa Festa de Literatura. Fiquei pensando em Barthes e no seu polêmico “A morte do autor” naquele tempo em que se começava a refletir mais sobre a importância do texto literário, provocando um deslocamento importante no que se tinha por supremacia e verdade, até o surgimento das teorias de efeito e recepção que jogariam luz sobre a figura do leitor. Eu sei, foi a gripe e a febre que embaralharam meus pensamentos e eu fiquei delirando noites e dias sobre algo como “a morte do leitor”, um novo deslocamento que viria para confirmar que a literatura é feita de escritores e suas obras – o que nos desobrigaria de questões a respeito do porquê se lê tão pouco. Delírio meu. Impressão que tive durante a festa, imaginando que se a figura do leitor fosse mesmo importante, deveríamos pensar em proibir o autor de fotografar seu público. É, estou mesmo com febre.

Mia Couto sorriu para mim e me disse: bom dia. Guilhermo Arriaga mostrou-me um espelho ao sol. Não há morte do leitor enquanto houver literatura feita por gente de carne e sangue.

Eu obedeci (quase sempre) às regras da FLIP como leitora (guardei na bolsa o crachá cinza) e como pessoa comum que compra seus ingressos, paga por seu deslocamento, compra livros, paga hospedagem e alimentação, encontra amigos no bar, conhece pessoas na fila, toma café sentada na escada. O que eu não sei ainda é quem é a FLIP das regras; tampouco entendi suas razões. Mas ouvi dizer que alguém vai conversar com a FLIP e que na sexta edição estaremos todos vivos e felizes: jornalistas, escritores, fotógrafos, assessoria de imprensa, diretores, organizadores, povo de Paraty, e o leitor portador de uma “maquininha falcatrua” que não faria mal a um passarinho.

Mesa 1

julho 11, 2007 by

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Abrindo a Mesa 1, Cassiano Elek Machado mostrou-se satisfeito por iniciar a FLIP com uma mesa de escritores jovens. Ele passou a mediação à Beatriz Resende, pesquisadora, professora da Escola de Teatro UNIRIO, pesquisadora do programa avançado de cultura contemporânea da UFRJ que, nos últimos anos, vem acompanhando escritores mais jovens e preparando um ensaio que deve sair ainda este ano, chamado Contemporâneos. Ela vem se debruçando sobre o trabalho dos jovens autores que fazem parte de uma geração que a partir do início do século vem apontado para mais uma nova etapa de renovaçõo da literatura brasileira e questiona como podemos fruir desses textos tão instigantes. Segundo Bea, a literatura se encontra num momento particularmente interessante, marcada pela multiplicidade de vozes, tons, experiências sobre limites e rupturas de limites dos gêneros literários, do papel como veículo já que a maioria dos novos autores transitam pelo espaço virtual, mas também sobre a ruptura do limite entre a palavra e a imagem, a escrita e a ilustração. Apesar da multiplicidade, certos temas aparecem com freqüência: o das identidades em crise e o paradoxal fascínio e temor que a vida das grandes cidades causa. Há em todos, enfim, um certo toque do trágico. Aqui, as vozes dos convidados, Cecília Giannetti, Fabrício Corsaletti e Verônica Stigger.

Apresentação de Cecília Giannetti:

Trecho de “Lugares que não conheço, pessoas que nunca vi”:

Fabrício Corsaletti, apresentação e poemas:

Veronica Stigger, apresentação:

Cecília Giannetti – o trabalho:

Cecília Giannetti – Berlim:

Veronica Stigger – do início até Bogotá:

Fabrício Corsaletti – sobre suas publicações:

Momento autoral

julho 11, 2007 by

Na foto, eu (à direita) e um dos muitos seguranças que blindaram a entrada dos fotógrafos e cinegrafistas na Tenda dos Autores. Extremamente gentis e profissionais, mesmo que já conhecessem o seu rosto e tivessem visto você entrar e sair diversas vezes daquela fresta, diziam: “Sinto muito, você não pode entrar, aguarde alguém da assessoria de imprensa”.

Aproveito o post para parabenizar toda a equipe da Lu Fernandes, que se desdobrou para tentar desengessar regras toscas a que fomos submetidos nessa edição da FLIP, tendo conseguido alguma melhoria no tempo de acesso e locomoção dentro da tenda. Na mesa final, em nome dos fotógrafos presentes, conseguiu fazer com que se trocasse o layout absurdo das cadeiras e microfones, que prejudicava qualquer tentativa fotográfica e mesmo a visão do público, que aplaudiu a mudança. Espero que no próximo ano, Lu, Ivani (tudo i), Ana Paula e Pedro possam ter mais tempo para produzir matérias ao invés de ficar conduzindo pessoas para dentro e para fora da tenda.

Momento Autoral
(Enviar foto como postal)

Quando eu ainda não sabia

julho 10, 2007 by

Porque tudo aconteceu muito rápido. Culpa minha pelo dia de folga que não me dei antes de tudo começar. O impacto diante das regras que (por favor, não me deixem esquecer de mencionar aqui o texto de literatura de estimação de Veronica Stigger) logo no show de abertura me deixou tonta. E burra. Sim, porque no dia seguinte eu ainda achava que a tonteira era cansaço. E não era. Engraçado a Mesa 2 composta por Chacal e Lobão justamente na manhã seguinte… e a gente rindo sobre coisas como o controle das gravadoras, o tanto que se batalha para conseguir mudar algumas coisas, blablabla-blablabla. Eu, naquele momento, era público de fato. Estava na platéia com minhas câmeras compactas e em momento algum passou por minha mente que eu estivesse cometendo algum erro. Mas estava. Estava?! Bem, alguém que estava na porta antes que eu pudesse chegar “diante da Lei”, me disse que sim. Agora é tarde. E lamentavelmente eu soube antes das outras mesas… portanto, aí vai o que uma pessoa comum pode colher sentada em uma platéia da FLIP. Não é vendável. Não tem qualidade. E nem vem ao caso, convenhamos. É só o registro comum de quem gosta de literatura, música, poesia e idiotamente vai tentando capturar palavras de pessoas (obviamente também comuns porque ainda que haja controvérsias, as estrelas estão no céu).

Depois, mantive minhas maquininhas desligadas durante as mesas, como convinha às Leis. Deixei para os rapazes-lagartixas o trabalho sujo. E falarei a respeito, é claro.

Aí vão uns videozinhos amadoríssimos e gostosos da Mesa Uivos com Chacal e Lobão.

Palavras de Chacal:

Um poema de Lobão:

Mais Chacal:

Tá…
Se eu conseguir driblar a gripe e o cansaço, trago mais Lobão para cá, de preferência, com sua “caixa preta”. Aguardem e confiem.

U P D A T E (como prometi)

Palavras (mais ou menos assim) do Lobão:

Vou tocar uma música que eu fiz quando o Tom Jobim morreu. O Tom morreu e eu pensei assim… Pô, já faz um tempo, né? Mas Olha só que loucura. Lembrei de uma música super significativa que é o Samba do Avião, a gente sempre quando tá sobrevoando o Rio de Janeiro vem aquela… “minha alma canta”, né?… linda! E quando o Tom morreu eu pensei: pô esse samba do avião já não cabe mais no Rio de Janeiro. Então eu pensei assim: bom, o avião caiu e só sobrou a caixa preta. Então, este aqui é o Samba da Caixa Preta. Uma homenagem à cidade em que nasci:

Ilustração: Ishmael Beah passeando em Parati.

julho 10, 2007 by


(envie esta foto-ilustração como cartão postal)

Mariana acendeu nossos sorrisos após a viagem de volta.

Vejam o tanto de cor que ela tem a dizer, enquanto a gente desfaz as malas e bota algo no estômago para sentar aqui e contar tudo, tudinho.

Paraty, 07-07-2007

julho 8, 2007 by

Outro dia agitado. Gostei muito das mesas 11, 12, 14 e 16. A mesa 13 teria sido melhor se a conversa com Alan Pauls não se realizasse com uma psicanalisa. Maria Rita Kehl disse que tentaria falar do livro sem contar a história dele. Nem precisava, ela fez o que não se deve fazer. Explicou o livro. Falou sobre os personagens, sobre o narrador, suas características, fragilidades, sobre a traição. A mesa 15, com a estrela da festa, J. M. Coetzee foi a mais concorrida (E a mais sonolenta também). Tão concorrida que Alan Pauls ficou sentado no chão. Ele e muita gente que pagou para entrar e assistir em cadeiras confortáveis. Achei muio estranho. Até então os únicos privilegiados com um lugar ao chão éramos nós, os fotógrafos. Ainda bem que fotografar o Coetzee é fácil. Ele ficou lá, de pé, estático, quase um modelo vivo. Limitou-se a ler um trecho enorme do seu próximo livro que não foi lançado nem no exterior.

A mesa 16 foi surpreendente e merecerá um post específico mais tarde. “Um beijo”, leitura de “O Beijo no Asfalto”, dirigida por Bia Lessa, com escritores e músicos no lugar de atores arrancou aplausos e risos do público. Silviano Santiago deveria ganhar um Oscar de crítico literário-escritor-ator revelação com sua performance como o repórter Amado Ribeiro.

Outro post a parte será com uma série de fotos das escritoras Ahdaf Soueif e Kiran Desai aprendendo e interferido na cozinha caiçara com Almir Tan na Cookin School. A idéia foi do pessoal do British Council, que gentilmente me convidou a ir junto fotografar.

Mesa 11 - Marco Antonio Braz, Nelson Mota, Leyla Perrone-Moisés e Nuno Ramos
FLIP: Mesa 11 – Marco Antonio Braz, Nelson Mota, Leyla Perrone-Moisés e Nuno Ramos.
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Mesa 12 - Carlito Azevedo, César Aira e Silviano Santiago
FLIP: Mesa 12 – Carlito Azevedo, César Aira e Silviano Santiago.
(Enviar foto como postal)

Mesa 13 - Samuel Titan, Maria Rita Kehl e Alan Pauls
FLIP: Mesa 13 – Samuel Titan, Maria Rita Kehl e Alan Pauls.
(Enviar foto como postal)

Mesa 14 - Dorrit Harazim, Lawrence Wright e Robert Fisk
FLIP: Mesa 14 – Dorrit Harazim, Lawrence Wright e Robert Fisk.
(Enviar foto como postal)

Mesa 15 - J.M. Coetzee
FLIP: Mesa 15 – J.M. Coetzee.
(Enviar foto como postal)

Mesa 16 - Bia Lessa, coordenando a ótimaleitura 'Um Beijo'
FLIP: Mesa 16 – Bia Lessa, coordenando a ótima leitura ‘Um Beijo’.
(Enviar foto como postal)

Mesa 16 - Silviano Santiago, ator revelação na montagem de Bia Lessa
FLIP: Mesa 16 – Silviano Santiago, ator revelação na montagem de Bia Lessa.
(Enviar foto como postal)


As escritoras Ahdaf Soueif e Kiran Desai aprendendo a arte da cozinha caiçara com Almir Tan.
(Enviar foto como postal)

Fotos: Sergio Fonseca

Mais Literatura

julho 7, 2007 by

Continuamos aqui na correria. O tempo é curto para muitas coisas a fazer. Manter a atualização do blog, por conta disso, está muito difícil. A conexão internet via rádio em Paraty parece acompanhar o ritmo das charretes que passeiam pela cidade. As fotos abaixo são das mesas de 3 a 10. Fiz algumas centenas de fotos mas ao menos nesse momento, tenho que escolher apenas algumas como registro. Temos vídeos de palestras, Lobão tocando, mas tudo isso, só ao voltar para o Rio.

Além dos eventos da FLIP, ontem cobrimos três ótimas mesas da OFF-FLIP com a Editora Língua Geral: Literatura e Música, com Mauro Sta Cecília e Miguel Gullander, mediada por Ney Lopes, A Escrita na Era da Imagem – ou de como o cinema mudou a literatura, com Ana Paula Maia e Christiane Tassis, cediada por Belisário Franca e por último, Os Caminhos da Nova Ficção Africana em Língua Portuguesa – Cosmopolitanismo X Tradição, com Agualusa e Mia Couto mediada por Nelson Saúte, quem conduziu e manteve um “debate em alto nível”, apesar das histórias divertidíssimas contadas por Agualusa e Mia Couto. Depois falaremos mais a respeito e publicaremos fotos, pois agora o tempo é curto. Ficamos realmente muito felizes em ver a Casa da Cultura lotada, com muita gente de pé e o esforço dos organizadores da OFF.

Mesa 3 - Marco Antonio Braz, Augusto Boal e Eduardo Tolentino
FLIP: Mesa 3 – Marco Antonio Braz, Augusto Boal e Eduardo Tolentino.

Mesa 4 - Arthur Dapieve, Jim Dodge e Will Self
FLIP: Mesa 4 – Arthur Dapieve, Jim Dodge e Will Self.

Mesa 5 - Angel Gurrá-Quintana, Kiran Desai e José Eduardo Agualusa
FLIP: Mesa 5 – Angel Gurría-Quintana, Kiran Desai e José Eduardo Agualusa.

Mesa 6 - Cassiano Elek Machado, Ruy Castro, Paulo Cesar de Araújo e Fernando Morais
FLIP: Mesa 6 – Cassiano Elek Machado, Ruy Castro, Paulo Cesar de Araújo e Fernando Morais.

Mesa 7 - Ángel Gurrá-Quintana, Ahdaf Soueif e Ana Maria Gonçalves
FLIP: Mesa 7 – Ángel Gurría-Quintana, Ahdaf Soueif e Ana Maria Gonçalves.

Mesa 8 - José Eduardo Agualusa, Mia Couto e Antônio Torres
FLIP: Mesa 8 – José Eduardo Agualusa, Mia Couto e Antônio Torres.

Mesa 9 - Marçal Aquino, Dennis Lehane e Guillermo Arriaga
FLIP: Mesa 9 – Marçal Aquino, Dennis Lehane e Guillermo Arriaga.

Mesa 9, aplaudidos de pé
FLIP: Mesa 9, aplaudidos de pé.

Mesa 10 - Angel Gurrá-Quintana, Nadine Gordimer e Amós Oz
FLIP: Mesa 10 – Angel Gurría-Quintana, Nadine Gordimer e Amós Oz.

Coletiva com Guilhermo Arriaga
FLIP: Coletiva com Guilhermo Arriaga.

Coetzee nas ruas
FLIP: Coetzee nas ruas.

Fotos: Sergio Fonseca

Sobre tudo de bom (antes de eu ir para a OFF)

julho 6, 2007 by

Não me deixem esquecer de falar sobre os tudo de bom. Especialmente da mesa 1 e 2 que fizeram minha paciência voltar para o lugar e minha alegria de estar aqui ser mesmo de verdade. Não me deixem esquecer de contar sobre o quanto é linda e querida a Marília da OFF. Não me deixem deixar de contar o mar (a ressaca dos olhos) diante da coletiva do Arriaga e da mesa 9 partilhada com Dennis… my god, se eu não souber contar, me matem. Com um furador de gelo, por favor.

E tem mais. Mas eu vou contar! 

Hoje, noite de sexta-feira…

julho 6, 2007 by

Pois é, vou escrever aqui, creiam-me: estou viva. Saí da fila dos autógrafos, perdi a mesa de Nadine (juro) e agora consegui entrar na sala de imprensa: com computadores disponíveis e conexão razoável! Não é incrível? Mas, não vou tagarelar muito, não. Dentro de 20 minutos as ótimas mesas da maravilhosésima OFF FLIP me esperam. Não posso fazer queixa da falta de tempo. Veja bem, quando digo “não posso” não estou dizendo que mandaram a gente não falar a respeito, nem que mandaram ou desmandaram qualquer coisa. Longe de mim dizer algo semelhante. As regras aqui são de brincadeirinha. Eu demoro a descobrir as coisas, mas até o final da FLIP vai cair a minha ficha. Tem que cair. As regras são a parte divertida (vou contar melhor, prometo). Uma das coisas engraçadas é este tipo de informação que sai por escrito muito bem clara: “proibido fotografar fulano”. Aí eu tomo um quase nojo da cara do fulano e quando o encontro, lá está ele lindo-leve-serelepe-sorridente fazendo fotos ao lado dos seus leitores e fãs, fazendo pose para os fotógrafos amadores e para os jornalistas. E a minha cara de otária fica a perguntar para os meus botões imbecis de onde saiu a notícia oficial? Não sei. Tem muita coisa por aqui que eu não explico. Acho que a FLIP é algo da minha imaginação, não é de verdade. É literatura.

Paraty, 05-07-2007 – Literatura afinal

julho 5, 2007 by

Depois do estresse e da correria da véspera, confesso qua as mesas 1 e 2 foram realmente sensacionais..

Mesa 1, Fabrcio Corsaletti
FLIP: Mesa 1, Fabrício Corsaletti.
Foto: Sergio Fonseca

Mesa 1, Ceclia Gianetti
FLIP: Mesa 1, Cecília Gianetti.
Foto: Ane Aguirre

Mesa 1, Veronica Stigger
FLIP: Mesa 1, Veronica Stigger.
Foto: Sergio Fonseca

Bastidores da Mesa 2, Lobão passando o som
FLIP: Exclusiva, bastidores da Mesa 2, Lobão passando o som.
Foto: Sergio Fonseca

Mesa 2, Chacal
FLIP: Mesa 2, Chacal
Foto: Sergio Fonseca

FLIP – a noite de abertura

julho 5, 2007 by

Documentar a quinta edição da FLIP está sendo um aprendizado de paciência. São tantas restrições, algumas mais estranhas do que exigências de pop stars. E por conta dos atrasos, é tudo uma correria. De qualquer forma, abaixo, algumas fotos da abertura oficial da FLIP 2007.

Cassiano Elek na Abertura Oficial da FLIP
FLIP: Cassiano Elek na Abertura Oficial da FLIP.

Bárbara Heliorora na Abertura Oficial da FLIP
FLIP: Bárbara Heliorora na Abertura Oficial da FLIP.

Liz Calder na Abertura Oficial da FLIP
FLIP: Liz Calder na Abertura Oficial da FLIP.

Orquestra Imperial na Abertura Oficial da FLIP
FLIP: Orquestra Imperial na Abertura Oficial da FLIP.

Orquestra Imperial na Abertura Oficial da FLIP
FLIP: Orquestra Imperial na Abertura Oficial da FLIP.

Orquestra Imperial na Abertura Oficial da FLIP
FLIP: Orquestra Imperial na Abertura Oficial da FLIP.

Fotos: Sergio Fonseca

Antes da Mesa 1

julho 5, 2007 by

sejamos práticos
e sinceros
orelha nenhuma tem que ser bonita
têm que ser simpáticas
ou inteligentes

as suas são do primeiro tipo

(Fabrício Corsaletti)

Parece que é simples assim: chegar, acomodar as malas, calçar algo adequado para as ruas de pedras e sair pelas calçadas de sol e janelas sorridentes. Não é. Para mim, ao menos. Tem o método, o desapego dos dias de ontem, o telefone que chama mais do que anteontem, a conexão imperfeita nas salas de máquinas que faz parecer falha qualquer comunicação. Também é falso. A comunicação não pode ser falha em um lugar de livros que se balançam em árvores, entre crianças que vasculham linhas com olhos arregaladamente interessados. De verdade. Passei por uma que dizia à professora: “preciso vir de crachá amanhã? então vou dormir com ele para não esquecer”. Sorri até o canto de minhas orelhas imperfeitas imaginando que Corsaletti deveria avaliá-las melhor antes da dedicatória que vou pedir justamente nesta página. Sim, já fiz a dobra na 149 e faço questão agora de orelhas de um segundo tipo.

Não é simples, não. Mas há aqui um prazer ora festivo, ora melancólico. E há uma porção de coisas únicas: que só a FLIP faz por você. A gente ri de algumas dores nos pés e outras em lugares indizíveis (e aqui eu não me refiro – ainda – à literatura de Stigger). As coisas mudam e não mudam de verdade. Há uma vontade, a gente sente – e não mentem os olhos esperançosos de Cassiano, nem a água azul do sorriso de Liz. Mas o andar ainda usa as velhas e belas charretes da praça. Alguém marca às 16h um encontro com o pessoal da imprensa, a gente corre com um franguinho leve no almoço e pontualmente espera. E espera até 16:40h para uma reunião de onze minutos em que resumidamente é esclarecido que já temos todo o material e informações necessárias. Verdade. Eu, pelo menos, concordei. Até o evento de abertura. E aí eu queria voltar ao papo daquela reunião que fora interrompida (para que os organizadores fizessem a boa digestão do recém e merecido almoço), eu não percebera que precisaria fazer uma pergunta sobre o que não estava escrito. Não vou digerir aqui o caso do evento de abertura porque é tarde: São duas da matina e eu troquei o show por um jantarzinho inigualável (todos os humanos do bem deveriam ter a chance de fazer o mesmo) ali no Restaurante A Luzia (Rua do Comércio 58) regado ao bom vinho, música pra alma, semblantes amigos e comida de primeira. Ficamos lá antes de encarar a noite fria que nos levaria aos tropeços de volta ao nosso quarto lilás.

Mas bem antes disso, estava marcada uma coletiva com um jovem escritor que muito me agrada por sua experiência dolorosa e marcante muito longe de casa. Esperavam os pacientes desde as 19h, mas os impacientes saíram do local quarenta minutos depois porque o escritor havia saído cinco minutos antes do horário marcado para comer pastel com pessoas amigas. Não sei se voltou. Perdi esta parte da história e lembrei daquelas do Silviano Santiago.

Pelos meus cálculos, cheguei ainda cedo ao evento de abertura. Não vou falar sobre minha impressão esquisita de não ter para onde olhar sentada na lateral da quarta fila. Para um lugar central eu devia ter imaginado ponteiros um tanto mais adiantados. EntãO, foi como antigamente, ouvindo rádio, as informações chegando. Tudo bem sobre essa besteira de comprar ingressos antecipados e chegar com muitos minutos de antecedência para um evento que a julgar pelo cotidiano vai atrasar: “Batata!” – como dizia Nelson. Tudo bem que crachá de imprensa não dá direito a sentar nas três primeiras fileiras mesmo que você tenha pago pelos seus ingressos. Mas o mocinho simpático que se desculpou e depois formou com os demais a corrente protetora contra os portadores de crachás de imprensa garantiu que aos jornalistas estava reservada a área lateral – ao lado das cadeiras. Sim, os fotógrafos poderiam tentar encontrar um bom ângulo ali, de pé, no canto ao lado dos “sem ingressos” (espertos!) que se divertiam atrás das grades. Um sentimento estranho, quase pior do que possuir as orelhas nada bonitas e provavelmente pouco inteligentes. Eu não vi Bárbara nem Cassiano e nem Liz. Eu ouvi tudo com minhas orelhas antipáticas e laterais, com brincos feitos de ingressos antecipados bem pagos, e credenciais cinza. Se ao menos fossem coloridas como as portas e janelas de Paraty… mas não. E aí a Orquestra Imperial me fez lembrar de um Pedro, um grito e uma saída. Bem lateral e rápida eu disse ao homem de preto: estou saindo para ver a vida e a lua. Ele achou que era uma boa idéia.

Já na cama, eu li trechos de Giannetti. Ela é uma menina engraçada que me faz sentir coisas estranhas:

“Temos os fantasmas que merecemos. Eles são feitos de coisas que não cabem aqui. Vieram sem anúncio e somente quando decidiram ir embora é que percebi o quanto sempre estiveram presentes, pois, até então, nunca haviam desaparecido. Estavam aqui e agora, se há matéria, é só palavra, papel, tinta – um fantasma no envelope fechado, um fantasma dobrado na gaveta. Que meia dúzia de palavras corajosa poderiam lhes escapar lá de dentro?” (p.171)

Voltei à mesa e comecei a escrever essas coisas depois de todo o cansaço dos dias e das alegrias dos vivos. Queria dizer de algo que vi em Cecília e Verônica que me fizeram voltar ao Pequeno Manual do César Aira, mas a madrugada me consome e marquei café da manhã cedo pensando em não perder a coletiva (e já nem sei se devo ainda acreditar nisto) de Dennis Lehane e chegar a tempo de encontrar um lugarzinho menos lateral na Mesa 1: dos ousados e bons brasileiros que têm me arrancado orelhas nos seus novos livros. (porque ando mesmo inteiramente orelhas e das mais imperfeitas, praticamente fazendo questão do “dane-se”) Mas, a madrugada me faz mal aos olhos. E o corpo dói em súplicas pela cama fofa de poucas horas de duração.

A FLIP é assim mesmo. E faz essas coisas com a vida da gente, com as orelhas, com os risos, com as linhas, com as vontades. Eu faço parte da FLIP dos humanos orelhudos. Há outra, creiam-me. Há a FLIP dos escritores e dos convidados. Ninguém pode compreender o olhar do outro em tão diferentes alturas. Há estrelas. E regras. E elegâncias. Há quem proíba ser fotografado, há quem se negue a dar entrevistas, há um povo na praça procurando linhas e outro no meio do jardim de uma pousada luxuosa trocando línguas. Mas de tudo, creio, há o melhor: talvez um mexicano que escreva a sangue ou um moçambicano que revire a alma de quem estiver no canto lateral de uma vida qualquer.

E continuamos. Amanhece para as janelas coloridas e atrás de algum barco hei de encontrar a Sheila e o Miguelão de Veronica Stigger, tecendo planos à moda dos melhores dias.

Tarde movimentada

julho 4, 2007 by

Paraty é festa e trabalho. Daqui a pouco, coletiva com Ishmael Beah.

Liz Calder, coletiva com jornalistas
FLIP: Liz Calder, coletiva com jornalistas.

Cassiano Elek, coletiva com jornalistas
FLIP: Cassiano Elek, coletiva com jornalistas.

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FLIP: Sala de Imprensa.

Nas ruas, Seu Tiago
Nas ruas, Seu Tiago.

Coletiva com jornalistas
FLIP: Coletiva com jornalistas.

Nas ruas, Fabrcio Corsaletti.
Nas ruas, Fabrício Corsaletti.

Fotos: Sergio Fonseca

Paraty, 04-07-2007

julho 4, 2007 by

Hoje, primeiro dia oficial da FLIP, a cidade já está movimentada,  faz calor. Abaixo, imagens da FLIPINHA e preparativos da FLIP.

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FLIPINHA: Esculturas de papel machè.

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FLIPINHA: Regata.

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FLIPINHA: Esculturas de papel machè.

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FLIPINHA: Bonecos Gigantes.

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Tenda da FLIPINHA.

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Tenda dos Autores: Livraria.

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Tenda dos Autores: Painés sobre o homenageado.

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Tenda dos Autores: Cafeteria.

Fotos: Sergio Fonseca

Projeto Paraty Digital

julho 4, 2007 by

Hoje, 4 de julho, às 15h, haverá a solenidade de inauguração da fase piloto do projeto Paraty Digital, que atenderá ao município com uma moderna rede de comunicação de dados, voz e imagem em banda larga. A solenidade deverá contar com a presença do Governador deo Estado do Rio de Janeiro, Sergio Cabral.

Local: Rua Angra dos Reis, s/n – Praça São José do Operário.

Troca de horários

julho 4, 2007 by

A Mesa 20, De Macondo a McCondo, com Ignacio Padilla e Rodrigo Fresán, marcada para acontecer no domingo, 08/07, às 17h, foi transferida para o mesmo dia, às 10 horas da manhã.

Bosco Brasil e Mário Bortolotto, portanto, se apresentarão no domingo, às 17h.

Ainda pouco, pelas ruas de Paraty

julho 3, 2007 by

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Foto: Sergio Fonseca

Está quase na hora!

julho 3, 2007 by

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Tenda dos Autores

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Hoje à tarde. Mas amanhã estará tudo pronto.

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Estúdio da TV Cultura

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Tenda Matriz.

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Tenda dos Autores

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A FLIP é assim. Ninguém pára.

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FLIP: Meninas da Equipe 5

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Esculturas da FLIPINHA começam a alegrar a praça.

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Programas da FLIP e FLIPINHA.

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Detalhe do cartaz da 5a. FLIP.

Fotos: Sergio Fonseca, 3-7-2007

Parati, 03-07-2007

julho 3, 2007 by

lula_a_dore.jpgApós uma ótima viagem, chegamos à Paraty.  O visual da Rio-Santos é deslumbrante. A cidade ainda vazia já respira a FLIP. Uma breve passada na pousada para deixar as malas e a dica da chegada é comer uma porção de lula à doré acompanhada de um bom chopp gelado no Restaurante Sabor do Mar. Depois é andar pelas ruas.

Foto: Ane Aguirre (celular)

Ingressos à venda para a Mesa 16 “O Beijo no Asfalto”

julho 2, 2007 by

Leitura da peça “O beijo no asfalto”, de Nelson Rodrigues, na Tenda dos Autores, tem ingressos disponíveis para compra por telefone, internet e nos postos autorizados. Com direção de Bia Lessa, a leitura está programada para o dia 7 de julho, às 22 horas .

Até amanhã, terça-feira dia 3, os interessados poderão comprar os ingressos para a Mesa 16, na Tenda dos Autores, com a leitura dramática de “O beijo no asfalto”, marcada para sábado, dia 7 de julho, às 22h, como parte das homenagens da V FLIP a Nelson Rodrigues. A partir de quarta (4), os ingressos só poderão ser encontrados nas bilheterias da FLIP, em Paraty. A Festa Literária Internacional de Parati acontece de 4 a 8 de julho, com a participação de mais de 70 escritores nacionais e internacionais.

A proposta de Bia Lessa é dar vida aos personagens desta tragédia, encenada pela primeira vez em 1961. No palco sem cenários, os personagens terão suas falas lidas por Sergio Sant’Anna, André Sant’Anna, Carlito Azevedo, Nelson Motta,  Jorge Mautner, Liz Calder – idealizadora da FLIP –, Flora Süssekind, Angela Leite Lopes, Suzana Macedo, Adriana Armony, Chacal, Silviano Santiago e Veronica Stigger, estes três últimos escritores também convidados para outras mesas da FLIP.

Do palco também participarão músicos, que contribuirão com sons e ruídos para a dramaticidade da  leitura. A banda “Os ritmistas”, formada por três bateristas, fará intervenções para valorizar a musicalidade dos diálogos e intensidade das cenas. Imagens de Miguel Rio Branco – pintor, fotógrafo e artista multimídia – deverão integrar as diferentes linguagens (escrita, falada, musical e visual).

A leitura será gravada, convertendo-se em um documento no qual o olhar de cada autor estará presente com seu discurso e linguagem, a partir do texto do dramaturgo pernambucano.

Vendas

A venda antecipada para a Mesa 16 é limitada a dois ingressos por pessoa (mediante apresentação do CPF). Os ingressos são vendidos pelo site www.ingressorapido.com.br, ou pelos telefones: 11/2163-2000 (São Paulo), 21/2169-6600 (Rio de Janeiro), 41/4063-6290 (Curitiba), 31/4062-7244 (Belo Horizonte). Horário de atendimento: de segunda a sábado das 9h às 22h, domingos e feriados das 11h às 19h.

Pontos de venda da Ingresso Rápido: São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador, Vitória e Belo Horizonte (consulte endereços, horários de atendimento e formas de pagamento no site da Ingresso Rápido).
 
Outros pontos de venda autorizados em São Paulo: Livraria da Vila (V. Madalena, Lorena e Casa do Saber Itaim). Ponto de venda em Paraty: Paraty Tours (tel. 24/3371-1327), apenas para moradores de Parati, mediante comprovante de residência. Os ingressos custam R$ 20 e R$ 6 – para acesso ao telão instalado na Tenda da Matriz, que transmitirá a leitura ao vivo.
 
Mais informações para a imprensa com Ivani Cardoso/Alexandre Agabiti (Lu Fernandes Escritório de Comunicação) pelo telefone (11) 3814-4600

TV Cultura em Paraty

julho 2, 2007 by

Mais uma novidade na quinta edição da FLIP.  Além das tendas Matriz e Autores, a TV Cultura montará uma terceira tenda para abrigar um estúdio de tv. Durante o evento, a emissora de São Paulo fará entrevistas com escritores e intelectuais convidados, além de gravar os programas Entrelinhas, Metrópolis, Planeta Cidade, Roda Viva e Vitrine.

O prazer quase sensual de contar histórias – Entrevista com Mia Couto

junho 30, 2007 by

Entrevista publicada no O Globo, caderno Prosa & Verso, pág. 6, em 30.06.2007

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O GLOBO: Em “Terra sonâmbula”, um dos personagens diz que “escrever é ensinar alguém a sonhar”. Para o senhor, o que significa ser escritor?

MIA COUTO: O verbo “estar” se aplica melhor e dever-se-ia dizer que alguém “está” escritor. Não é do domínio da essência, não é uma natureza em nós. O que está imperiosamente gravado em todos nós é a necessidade de criar, de inventar. Quero estar escritor na medida em que estou disponível para essa espécie de embriaguez que é a inspiração e o prazer quase sensual de criar histórias. Acreditei, num dado tempo, que o escritor tinha uma missão. Depois, desacreditei e olhei a escrita como se olha o amor, para além de qualquer serviço ou funcionalidade. Agora, sendo parte de um país que ressuscitou de uma guerra fratricida, creio, de novo, que o escritor pode ter um papel na reconciliação dos homens com o seu tempo. Em Moçambique, ninguém parece recordar-se desse período de horror tão recente (a guerra terminou em 1992). Vivemos dominados pelo medo de despertar demônios. A literatura pode ajudar a sarar essa ferida, pode ser um convite para revisitar esse tempo, sem medo da culpa e do ressentimento.

O GLOBO: Em vários livros seus, os velhos são guardiões da cultura popular pois trazem o registro dos costumes e do passado. Hoje cada vez mais se valoriza rupturas de valores e envelhecer é demérito. Como avalia o resgate das tradições e os ensinamentos dos antepassados?

COUTO: A idéia de que, em África, os velhos são sempre respeitados resulta de uma mistificação. Isso nem sempre sucede, mesmo em sociedades que não foram desarrumadas pela colonização. Subsiste na visão sobre a África ainda uma idéia cor-de-rosa, certa romantização do “bom selvagem”. Mas é verdade que, em certas sociedades — e muitas delas estão vivas em Moçambique — o lugar dos mais velhos é fonte de prestígio e saber. Não são todos os mais velhos. A idade deve ser cruzada com a linhagem, a família, o sexo (geralmente, a mulher é excluída desse pedestal). Essa tradição está sendo reconstruída pela atualidade. A modernidade africana convive de modo atribulado com isso que chamamos de tradição e está refabricando rituais e crenças. Mas isso sucede num universo em que a miséria absoluta vai corroendo aquilo que antes era dominado pelo respeito. Num mundo ajoelhado perante a mercadoria, sucede na África aquilo que sucedeu em outros continentes: velhos e crianças estão desvalorizados porque produzem pouco e compram ainda menos.

O GLOBO: O personagem Vinticinco de Junho, o Junhito, tem este nome porque nasceu no dia da independência de Moçambique. Para sobreviver aos horrores da guerra ele se transforma num galo, uma ave doméstica. Há algum sentido simbólico?

COUTO: Há simbolismos, no plural. No saber rural, de Moçambique, não é ficção aceitar-se que um homem se converte em bicho. O fluir de identidades entre pessoas, bichos e árvores faz parte do imaginário rural. E depois, há idéia de que a própria independência nacional se domesticou e ficou, como se diz metaforicamente no livro, aprisionada num galinheiro. Toda uma irreverência que existiu na luta de libertação nacional, todo um sentido épico e utópico, tudo isso foi desvanecendo.
O GLOBO: O sobrenatural e as assombrações circulam na sua obra. É uma forma de entrar num realismo mágico? No universo alegórico?

COUTO: O recurso ao “fantástico” não resulta de estratégia ou decisão pensada. Acontece no Brasil como em Moçambique, na América Latina como em África: a fronteira entre realidade e magia é uma outra e não obedece aos padrões da racionalidade européia. Aliás, quem deu nome e estudou essa corrente do “realismo mágico” não fomos nós, escritores, não fomos nós, do Terceiro Mundo.

O GLOBO: A África foi contaminada pela sombra do colonialismo, por anos de guerra civil e miséria. Sua literatura combate a retórica de “vítima” e propõe uma visão crítica. Como construir uma narrativa onde os africanos afirmem uma singularidade histórica?

COUTO: Essa afirmação está sendo feita a todos os níveis. A literatura é apenas um espaço onde se exerce essa proposta de inventar uma História em que nós, africanos, surgimos como sujeitos e parceiros do que aconteceu e deixamos de ser apenas vítimas e coitados. É importante assumir essa responsabilidade histórica, com base na verdade e na coragem de aceitar que uma parte de nós, africanos, fomos cúmplices das atrocidades cometidas no passado. A escravatura e o colonialismo foram praticados não apenas por mão de fora: houve conivência ativa de elites da África. Essa mesma conivência está prosseguindo hoje na dilapidação dos recursos em benefício das grandes companhias multinacionais. A visão vitimista só serve às atuais elites corruptas.

O GLOBO: O mundo atual está saturado de imagens e informações. Ainda há uma carência de narrar histórias e lançar luzes sobre a História através da literatura?

COUTO: Creio que a literatura é exatamente isso: levar a que a história case com a História. A apetência em escutar e contar histórias está dentro de nós. Eu seria uma pessoa pobre se não fosse capaz de produzir histórias, de fazer da minha própria vida uma narrativa que posso emendar, apagar e enfeitar. E eu não sou diferente de ninguém. Uma certa racionalidade nos fez envergonhar deste apetite, atirando a história para o domínio da infantilidade. Essa estigmatização da pequena história está presente na própria literatura: veja-se a forma como se secundariza o conto em relação ao romance. O advento e a hegemonia da escrita são também responsáveis por essa marginalização da oralidade.

O GLOBO: J.M.Coetzee e Nadine Gordimer são escritores sul-africanos que estarão na Flip, e têm estilos distintos do seu. É possível dimensionar a diversidade da literatura africana?

COUTO: Os dois escritores são já um exemplo dessa diversidade num único país. A escrita de Gordimer e Coetzee localizam-se em pólos e estilos absolutamente distintos. O continente africano está atravessado pela mesma diversidade cultural e artística de qualquer outro continente. Felizmente, está passando uma fase muito utilitária da literatura, como arma de afirmação política contra um tempo de negação. Era uma escrita datada, geralmente empobrecida pela obrigação assumida e fabricada pelos outros de ser “africana”. O texto literário era visto como uma espécie de prova de autenticidade étnica e racial. A feitiçaria, os velhos à volta da fogueira, as fábulas e lendas, tudo isso era receita obrigatória. Certa crítica literária européia ajuizava o valor desses textos como se estivesse perante um artesanato, como se tratasse de uma manifestação de folclore que os próprios africanos legitimavam. Hoje, uma grande parte dos escritores africanos libertou-se dessa pressão e quer apenas fazer literatura, debruçar-se sobre a luz e os abismos da alma humana, trabalhando temas intemporais e universais. 
 
Jornal: O GLOBO
Autor: Cristina Zarur 
Editoria: Prosa & Verso

Procedimento do Prazer – Entrevista com César Aira

junho 30, 2007 by

 Entrevista publicada no O Globo, caderno Prosa & Verso, pág. 8, em 30.06.2007

Gazeta do Povo/23-05-2007

Prolífico
Como consegue publicar tanto? Tem uma rotina de muita disciplina? Acredita-se um obsessivo (tantos escritores assim se definem…)?

CÉSAR AIRA: Meu único sistema, e creio que é o melhor, consiste em escrever por prazer. Com nossos prazeres somos bastante estritos; são as obrigações que postergamos. Com o tempo, vi-me com uma rotina deliciosa, ao me dedicar a cada dia um pouco à invenção; aí tenho a liberdade que é tão escassa no resto da existência. Não sou obsessivo, porque posso passar semanas e meses sem escrever, e quando escrevo é apenas meia página ou uma página por dia. Sou muito lento, penso dez vezes cada palavra, e dou cem voltas a cada frase antes de escrevê-la. Na realidade, o segredo para ser prolífico não é escrever muito, mas escrever bem.

Procedimento
Segundo sua teoria, os grandes artistas do século XX foram os que inventaram “procedimentos”. A palavra é tão importante para o senhor que está no título do livro que lançou recentemente em Curitiba. É mais importante, pois, que a inspiração? Utiliza-os sempre?

AIRA: Em algum momento de minhas fantasias teóricas me entusiasmei com a idéia dos “procedimentos”, como os de Raymond Roussel, que geraram automaticamente os relatos. Era um modo de liberar-se da subjetividade burguesa, de toda a velha máquina psicológica. Mas nunca utilizei nenhum procedimento. E, olhando para trás, dou-me conta de que quase tudo o que escrevi é subjetivo, psicológico, autobiográfico e nasceu da mais velha e tradicional inspiração. A moral é que não se deve acreditar muito nos escritores quando teorizam.

Vanguarda
Na sua opinião, a única saída para a arte, hoje, é ser de vanguarda. Acredita, pois, ser um autor de vanguarda, um artista em busca da reinvenção da arte, como já definiu o artista de vanguarda?

AIRA: Queria considerar-me um escritor de vanguarda, se “vanguarda” se entende como a criação de novos paradigmas de gosto e qualidade. A “retaguarda” então seria ajustar-se ao gosto estabelecido, e eu sempre fui contra o gosto dos leitores, inclusive meus poucos e queridos leitores.

Gênero
Costuma aventurar-se por diferentes gêneros — novela, ensaio, teatro… Até um dicionário de literatura latino-americana escreveu. Que liberdade cada gênero lhe proporciona?

AIRA: Sempre fui narrador, e deveria ter sido só um narrador de histórias. Mas em certo momento obriguei-me a escrever ensaios. Fiz isso sobretudo para deixar um testemunho de minha experiência de leitor. Mas nunca consegui me acostumar. Um ensaísta deve dizer alguma espécie de verdade, e o narrador está mais bem comprometido com a mentira.

Segui escrevendo ensaios para desfrutar o contraste: quando termino um e volto ao romance, sinto melhor a imensa liberdade que tenho para mentir, para ser incoerente, absurdo.

Cânone
Parece-me que o senhor gosta muito de botar sempre o cânone em questão. É um “procedimento”?

AIRA: Não sou crítico, nem professor, nem historiador da literatura. Sou um leitor, e um leitor agradecido porque a leitura foi a ocupação mais constante da minha vida, e meu maior prazer. O cânone de um leitor são todos os autores que amou, e eu os amei a todos, ou a quase todos. O que não aceito destes “cânones” de que se fala hoje é seu aspecto prescritivo e autoritário. A melhor leitura é a que não é obrigatória, e cada leitor deveria decidir por si o que é bom ou mal.

Preferência
No lugar de autores já canônicos, como Cortázar ou Saer, prefere, por exemplo, Manuel Puig, nem sempre tão canônico. Por que não Cortázar, nem Saer? O que acha de Borges?
 
AIRA: Tampouco gosto de Jorge Amado ou de García Márquez ou X ou Y ou Z. E, sim, gosto de Puig e Borges e A e B e C. E daí? Não pretendo impor meus gostos a ninguém. Os leitores somos democráticos por natureza, e também por conveniência. Como a única coisa que queremos é que nos deixem seguir lendo em paz, respeitamos os gostos alheios para que respeitem os nossos.

Polêmica
Também não teme a polêmica: por que as desavenças? Além de uma questão de personalidade, há nisso algo que se refere a uma postura de honestidade diante da obra?Fale-nos um pouco da literatura argentina hoje… O que acha de Ricardo Piglia?

AIRA: Se falo mal de Piglia, posso estar certo de que Piglia vai falar mal de mim, de modo que a polêmica é demasiado previsível e sem interesse.

Flores
Como é morar em Flores, o típico bairro portenho que inspira, entre outras, uma das narrativas lançadas no Brasil no ano passado (“As noites de Flores”)?

AIRA: Fui viver em Flores em minha juventude, por acidente, e lá continuei por inércia. É um bairro sem atrativos especiais, que além disso me fez invisível pelo hábito. É ideal para a classe de romancista que sou. Obriga-me a usar a fundo a imaginação. Ao ser tão cinza, tão neutro, todo o drama e a emoção de meus romances ambientados em Flores tenho eu mesmo de inventá-los.

Brasil x Argentina
Apesar de ter diversas obras publicadas, poucas foram editadas no Brasil. Como explica o abismo cultural que existe entre os países vizinhos?

AIRA: Não consigo explicar. Talvez se deva a que além de ter línguas distintas temos histórias e sociedades muito distintas. E estamos perto demais para que haja um atrativo de exotismo, como com o Japão. O leitor médio argentino sabe muito mais da literatura japonesa que da brasileira. Mas o bom leitor nunca é um leitor “médio”, e os bons leitores argentinos não precisamos esperar as traduções.

Literatura brasileira
O que acha das letras brasileiras?

AIRA: Sem ânimo de fazer demagogia, acredito sinceramente que a literatura brasileira é a mais rica do continente. Sempre e em todos os gêneros, incluídos os não especificamente literários, como a sociologia ou a história. No século XIX, nenhum país latino-americano teve um romancista tão grande quanto Machado de Assis. E, no XX, seria necessário reunir o máximo de vários países (Borges, Lezama Lima, César Vallejo) para haver um equivalente de Guimarães Rosa, Clarice, Mario de Andrade, Dalton Trevisan, João Cabral e tantos mais. E hoje não há em nenhuma parte um escritor com a grandeza de João Gilberto Noll.

Telefone
É verdade que detesta falar ao telefone? Por quê?

AIRA: Cresci no campo e falei ao telefone pela primeira vez aos 20 anos. Nunca me acostumei. Não consigo manter uma conversa por telefone. E notei que transmitem muito mais notícias ruins que boas. (Isso não impede que eu considere “O gorila”, de Sérgio Sant’Anna, uma obra-mestra do conto).

Temas
Até hoje, na sua literatura, como surgiram os temas sobre os quais escreveu? O que lhe seduz num tema?

AIRA: Não sei se saberia o que falar de “temas”. Meus romances nascem de uma ocorrência ou inspiração fugaz, e a partir daí eu improviso à medida que vou escrevendo, mudando a direção todo o tempo. Não sei qual será o “tema” que vai prevalecer no fim.

Nobel
Gosta de Coetzee, o Nobel sul-africano que virá à Flip também? Ou prefere Nadine Gordimer, outra Nobel?

AIRA: Não li nenhum dos dois. O último Prêmio Nobel que li foi Beckett, e não o li porque ganhou o Prêmio Nobel.
 
 
Jornal: O GLOBO
Autor:  Raquel Bertol
Editoria: Prosa & Verso

BELVEDERE

junho 29, 2007 by

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Lançamento BELVEDERE

A festa de lançamento do livro do poeta Chacal
será comandada pelo DJ Dany Rolan e Augusto Massi.
Carlito Azevedo e o autor do livro recitarão poemas.

Quinta-feira, 05 de julho, das 22h às 02h
Bar do Lúcio
Pça.da Matriz, 03
Centro Histórico de Parati (RJ)
Tel. (24) 3371 8261
Entrada franca

Oficina de Contos anuncia selecionados

junho 29, 2007 by

A oficina de contos “As tragédias cariocas hoje”, ministrada por Sonia Rodrigues, anuncia os nomes dos 23 aspirantes a contistas que foram selecionados pela comissão julgadora da oficina. Veja a lista com os nomes abaixo:

Adriana Vieira Soares Lomar
Alair Alves de Carvalho
Angela Nelly Gomes
Angélica Ferrasoli
Beatriz Diogo Tavares
Bruno Gonzaga Fiuza
Catarina Leite Alves
Clarisse Ilgenfritz
Daliane Nogueira de Oliveira
Elisabeth Fernandes Martini
Eneida Maria Peixoto de Azevedo
Jaqueline Pierazzo Pereira
Joao Felício de Oliveira filho
José Mauro Barbosa Reis
Liliane Maria Braga Alves Pinto
Lucia Novais
Maria de Deus Oliveira de Siqueira Alves
Marissa Gorberg
Mauro de Freitas Rebelo
Rosane de Bastos Pereira
Sigrid Hoppe
Tiago Henrique Savio
Vladimir Silva

Fonte: Site Oficial

FLIP – Outros olhos

junho 29, 2007 by

O British Council fez contato conosco para informar que também estará com sua equipe presente nos 4 dias da FLIP, com o objetivo de realizar uma cobertura da literatura britânica. A novidade para este ano é que, pela primeira vez,  utilizarão o blog como ferramenta de divulgação do evento, com a promessa de fotos, entrevistas, reportagens e vídeos com os melhores momentos da festa. Esta é uma das grandes vantagens da internet. Proporcionar a todos uma diversidade de olhares nunca vista.  A democracia do olhar.

A cinco dias da FLIP

junho 29, 2007 by

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Os preparativos para a FLIP estão na reta final. Quando a maioria de nós chega à Paraty, já encontra tudo pronto. E muita gente acaba esquecendo ou mesmo nem se dando conta do trabalho que dá a organização de um evento desse porte. A quantidade de pessoas envolvidas, a correria, as desistências de última hora como no caso do William Boyd, substituído pelo angolano José Eduardo Agualusa (na minha opinião, ganhou a FLIP).

É claro que falhas existem. A questão da venda de ingressos continua sendo o maior alvo de reclamações. Acredito que na próxima edição a organização prestará mais atenção a isso. Mas apesar de qualquer falha, natural em grandes eventos, impossível não sair de Paraty com aquele gosto de “quero mais”.

Uma das coisas que não costumamos ver é a montagem das tendas. Aquelas enormes bolhas de lona e lycra com auditório, cadeiras confortáveis e ar-condicionado. Espaços muito bem planejados e construídos rapidamente por trabalhadores para nós, invisíveis.

As fotos acima foram gentilmente cedidas por Ricardo Sant’Anna, que trabalhando na montagem, resolveu documentá-la no fotolog http://flip2007.nafoto.net.

Uma tragédia em 24 atos

junho 29, 2007 by

Nelson Rodrigues costumava dizer que sua vida era “Uma tragédia em 24 atos”. A vida do escritor e dramaturgo homenageado pela FLIP neste ano oscilou entre o sucesso e o fracasso, o amor e a morte. Os dramas de seus personagens várias vezes esbarraram em episódios passionais da vida do autor. O “tarado” ou “gênio”, como era chamado pelos críticos e fãs, terá a vida exposta em Parati, durante a V FLIP, de 4 a 8 de julho. Não será em 24 atos, mas em 24 painéis fotográficos, distribuídos na Tenda dos Autores. Quem quiser ainda pode conferir as últimas entrevistas do escritor, transmitidas na Igreja de Santa Rita.

“A disposição das 24 fotografias da mostra não vai acompanhar a cronologia do Nelson”, explica o diretor teatral Marco Antônio Braz, curador da exposição. Confissões retiradas de seu livro A menina sem estrela e trechos de peças vão mostrar pontos importantes da vida do escritor de maneira aleatória. A sua foto de casamento, por exemplo, vem acompanhada de um trecho da antológica peça “Vestido de Noiva”. A peça, aliás, vai inspirar uma cenografia na Igreja de Santa Rita. Um imenso véu será pendurado na torre da igreja. Logo em frente, uma cabra ficará presa a um poste. Dentro do templo, poderá se ouvir o áudio das últimas entrevistas de Nelson, para o antigo programa Vox Populi, da TV Cultura, e para o jornalista Otto Lara Resende.

Na Tenda dos Autores, além das imagens serão expostas algumas gravuras do irmão de Nelson, o artista plástico Roberto Rodrigues. As confissões do autor mostram um dos períodos mais dramáticos e trágicos de sua vida. Roberto foi assassinado com um tiro na redação do jornal “A Crítica”, da sua família. O alvo era o seu pai, Mário Rodrigues, que no dia anterior publicara uma notícia polêmica sobre o desquite da assassina.

Também há fotos do garoto Nelson, com seus pais e irmãos. O escritor nasceu no Recife, mas viveu toda a vida no Rio, cenário primordial de suas tragédias e comédias de costume. Filho de político, já com oito anos o menino assustou a professora: num concurso de composições, Nelson apresentou uma história picante de adultério e crime passional. Ele levou o prêmio, mas a redação não foi lida em classe, conforme o previsto.

A mostra Uma tragédia em 24 atos deve ficar em cartaz ao longo das atividades da FLIP – Festa Literária Internacional de Parati.

Fonte: Site Oficial

Mapa de localização da OFF-FLIP 2007

junho 28, 2007 by

Para facilitar a vida de quem não conhece Parati, nunca foi a FLIP/OFF-FLIP ou mesmo vai chegar durante o evento, sem tempo para pegar os folders com todas as informações, estamos disponibilizando um mapa de localização dos eventos da OFF-FLIP. O mapa é oficial e foi gentilmente cedido pela organização da OFF.

clique aqui e veja o mapa!

Prêmio OFF FLIP de Literatura divulga os vencedores

junho 27, 2007 by

Criado em 2006 por iniciativa da OFF FLIP, o Prêmio OFF FLIP de Literatura conta com o apoio da Secretaria de Turismo e Cultura de Paraty e a cada ano é dedicado a um gênero literário.

O Prêmio teve um crescimento expressivo. Em 2006 participaram cerca de 200 poetas de todo o Brasil. Este ano foram quase 400 contistas de 21 estados brasileiros. Nesta edição de 2007 o Prêmio foi aberto também à participação de brasileiros residentes no exterior. A OFF FLIP recebeu envelopes de 8 países: Alemanha, China, EUA, Itália, México, Paraguai, Senegal e Suíça. Autores de expressão no cenário literário brasileiro figuram entre os finalistas – como o premiado escritor Lourenço Cazarré.

A comissão julgadora nacional foi composta por Claudio Willer, David Oscar Vaz e Jeanette Rozsas – três escritores de expressão no cenário literário brasileiro. A comissão local foi formada por Amaury Barbosa (presidente do Comitê Executivo Pró-UNESCO de Paraty), Célia Flud (artista plástica com vasta formação em Letras) e Gabriela Gibrail (uma das coordenadoras do programa educativo da FLIP).

Os três vencedores na categoria nacional serão contemplados com estadia em Paraty durante a OFF FLIP. Os três vencedores nas duas categorias recebem convites para eventos oficiais da FLIP e participam de almoço de confraternização no Restaurante Ilha Rasa. O primeiro colocado em cada categoria receberá 10 livros da Editora Record e ganhará um passeio pela baía de Paraty na Escuna Banzay.

A cerimônia de premiação acontece no dia 07 de julho no Villas de Paraty Pousada. Em 2008 a OFF FLIP pretende estender as inscrições a todos os países lusófonos e publicar os textos vencedores dos dois anos anteriores em uma coletânea.

OS VENCEDORES NA CATEGORIA NACIONAL
1º lugar – Luis Roberto Vassallo (São Paulo–SP) – “Desconstrução”
2º lugar – Katia Godinho Gilaberte (Embaixadora do Brasil no Senegal) – “Travessia”
3º lugar – Maurício Decker (Curitiba–PR) – “O mestre canoeiro”

Outros autores premiados
[em ordem alfabética]
Diego Paleólogo Assunção (Rio de Janeiro– RJ) – “A desestruturação de Penélope”
José Eduardo Alcazar (Assunção-Paraguai) – “Menino que torturava insetos”
Lourenço Cazarré (Brasília–DF) – “A noite não deveria existir”
Mauro de Abreu Pinheiro (Rio de Janeiro– RJ) – “Resíduos de Helga”

Menção Honrosa
[em ordem alfabética]
Arnaldo Luis Miranda (Nova Friburgo–RJ) – “Fogo, compadre?”
Maurício Fiorito de Almeida (Campinas–SP) – “Cano”
Rubens da Cunha (Joinville–SC) – “Foi pra isso”

OS VENCEDORES NA CATEGORIA LOCAL
[nascidos ou residentes em Paraty]
1º lugar – José Tadeu Saraiva – “A caixa”
2º lugar – Indalécia Campos Freire – “Recado do mar”
3º lugar – Jacira Diniz – “Encanto”

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Curadoria
Ovídio Poli Junior

Paraty, 25 de junho de 2007.

Mudanças na Mesa 5

junho 27, 2007 by

William Boyd, que debateria com Kiran Desai, cancelou sua participação por razões pessoais. Agora quem estará ao lado de Kiran Desai, hindu radicada nos EUA, em uma mesa sobre a relação entre ficção e vida itinerante, é o angolano José Eduardo Agualusa, um dos principais escritores contemporâneos da língua portuguesa.

A FLIP divulgará em breve os procedimentos que devem ser tomados por quem quiser devolver ingressos já adquiridos para tal mesa.

05/07, Quinta-feira, 19h
Mesa 5 – Tão longe, tão perto:
José Eduardo Agualusa e Kiran Desai

Mesa 16

junho 27, 2007 by

Mesa 16 – Um beijo
7 de julho, sábado, às 22h
R$ 20

A diretora Bia Lessa fará na FLIP uma leitura da peça rodrigueana O beijo no asfalto com autores no lugar de atores. São ficcionistas, ensaístas, importantes estudiosos de Nelson: Adriana Armony, André Sant’Anna, Ângela Leite Lopes, Carlito Azevedo, Chacal, Flora Süssekind, Jorge Mautner, Liz Calder, Nelson Motta, Sérgio Sant’Anna, Silviano Santiago, Suzana Macedo e Veronica Stigger.

Os ingressos podem ser adquiridos pela internet, no site Ingresso Rápido, nos pontos-de-venda ou por telefone. Além disso, serão vendidos a partir do dia 04/07 na bilheteria da FLIP, em Parati.


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